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Cotidiano Entrevista

“O Boi no Rolete se tornou uma tradição familiar”

Presidente da Sicredi Aliança Paraná/São Paulo, Adolfo Freitag assou o primeiro exemplar há cerca de 45 anos

17/06/2022 12h09
Por: Redação Fonte: Tribuna do Oeste
Legado de família: Adolfo Freitag e esposa Medi com os três filhos e netos
Legado de família: Adolfo Freitag e esposa Medi com os três filhos e netos

Ver um boi assar no rolete, dentro de uma cúpula, chama atenção e invade o imaginário de muitos curiosos. É isso o que acontece com quem prestigia a Expo Rondon na tarde de sábado e enxerga a preparação. Para as equipes, representa trabalho e confraternização. Tudo para estar tinindo no domingo, auge da Festa Nacional do Boi no Rolete, quando Marechal Cândido Rondon recebe milhares de visitantes.

Neste ano, a Expo Rondon será realizada de 21 a 25 de julho. Já o prato gastronômico rondonense, auge dos festejos, acontecerá no dia 24, um domingo. Muito conhecido em toda a região, Adolfo Rudolfo Freitag conta que assou seu primeiro boi no rolete há 45 anos. Os frutos conquistados foram um 1º lugar, 2º e 3º lugares. Ao Jornal Tribuna do Oeste, ele enaltece o aprendizado de seus filhos, que trabalham profissionalmente com bois. Confira. 

TRIBUNA DO OESTE - Adolfo Freitag, o senhor tem forte ligação com o Boi no Rolete. Em que momento nasceu o gosto por este prato gastronômico que atrai milhares de visitantes a Marechal Rondon?

ADOLFO FREITAG - Quando me casei há 45 anos, o Osvaldinho (em memória) assava o boi, ele que era tio da minha esposa Medi. O Ariovaldo Bier inventou o Boi no Rolete, porém outras pessoas sabiam assar e adquiriram mais experiência. Foi a família Vorpagel que começou com a tradição do Boi no Rolete. Mais tarde eu e o Osvaldinho abrimos uma empresa e assamos boi em todo o Brasil. Vale registrar que quando trabalhei na prefeitura eu era encarregado de cuidar o parque e com isso tive envolvimento bastante grande, inclusive fui organizador da equipe de degustação. Com o crescimento da Sicredi Aliança Paraná/São Paulo, eu optei por vender a minha parte da empresa para o Incomar Riegel (Ingo), que continuou assando bois em vários lugares do país. A nossa empresa assava bois para clientes.

Depois a Sicredi passou a assar o boi, então fui me desligando da parte organizacional. Meus filhos também assam boi no rolete há anos, o que eu faço é acompanhar. Pessoalmente, o que me marcou muito foi o boi no rolete que assei em Porto Alegre em um evento para 300 líderes da Sicredi, dentre os quais presidentes de inúmeras cooperativas. Em termos de qualidade, de vários anos para cá tem fiscalização da Vigilância Sanitária, o que exige responsabilidade da equipe, de modo que praticamente todos os bois são de boa procedência. 

- Com tamanha experiência, o senhor possui um registro de quantos bois criados para serem servidos na Festa Nacional do Boi no Rolete?

Acredito que uma média de 300 bois preparados por nossa empresa quando estive na sociedade. Quando fazíamos comercialmente, assamos um boi em um casamento chique na cidade de São Paulo. O boi tinha sido abatido antes, daí faltou carvão e eu tive medo que fosse estragar porque o casamento era à noite. Felizmente tudo ocorreu bem. Eu entendo que seja na Festa Nacional do Boi Assado no Rolete ou em outro local, quem prepara e faz parte da equipe de assadores precisa estar acompanhando todo o processo. Por causa do comprometimento, quando trabalhamos aqui e em outros locais todos os bois no rolete que preparamos foram bem-sucedidos. 

- É fato que gera um certo ritual, tamanha dedicação do trabalho feito por várias mãos. Quais os cuidados desde criação do gado, abate, preparo com tempero e o ato de assar o boi?

O essencial é a escolha do boi. Eu uso pouco tempero, porque o animal precisa ter gosto de carne. Para temperar o ideal é de uma a duas pessoas sem consumir bebida alcoólica, já o momento de assar exige alguém experiente. De noite quando tem fogo, aí o assador pode ficar tranquilo. O ideal é que o boi no rolete esteja pronto às 10h30, porque os visitantes podem olhar o animal na cúpula, um momento especial que atrai curiosos. Vale destacar que a equipe deve ser formada por pessoas de qualidade. Pela experiencia digo que fazer um boi no rolete não dá tanto serviço como assar um churrasco com vários espetos, em que você precisa ficar volta e meia olhando. Sobre o tamanho, entendo como ideal que o boi tenha entre 180 e 230 quilos, com gordura e ser um animal de primeira. Quem não conhece quer ver o cupim, hoje saiu de moda, porém o boi necessita de um cuidado especial por ser um dia específico que traz muita gente e é o auge da festa. Por exemplo, o restaurante precisa de todo um capricho para atender bem as pessoas. 

- Existem segredos em termos de tempero para chegar a um sabor que conquiste agrade o paladar?

No Mato Grosso eu assei bom com lenha, fica um pouco mais escuro, mas o gosto, o sabor permaneceu bom, mas isso porque lá não se encontra carvão. Na nossa festa, a média de peso do boi no rolete fica em 200 quilos, além de cerca de 60 quilos de tempero. O momento de preparo, desde colocar o boi na cúpula, arrumar tudo, de assar, é bastante especial, pois gera um clima de confraternização. O tempo ideal para assar o boi, deixar no ponto, é de 14 horas assando. Na hora de servir, a gente ergue e daí já pesa bem menos. Aqui em Marechal Rondon é bem legal porque as equipes se ajudam. Em alguns locais o pessoal não corresponde à expectativa do assador, porém aqui é diferente e isso possibilita uma festa agradável. 

- Adolfo, A tradição no seu caso há anos se tornou familiar, visto que seus filhos também são apreciadores da arte de assar Boi no Rolete. Nos conte mais.

Posso destacar que meus filhos nos acompanhavam, a mim e ao Osvaldinho. O meu sogro trabalhava com gado, e era ele quem escolhia o boi. Todo ano nós levamos um pedaço de boi no rolete para ele na sua casa, tendo em vista que está próximo de completar 94 anos de idade. O bacana no nosso caso é que foi interesse da família nos ajudar, ou seja, algo que surgiu por iniciativa dos meus filhos. Uma vez não pude ir junto, daí o filho mais velho foi com o tio dele, mais tarde o outro filho acompanhou, e assim eles aprenderam e gostaram da atividade. 

- Qual sua visão sobre a Festa Nacional do Boi no Rolete que ocorrerá daqui pouco mais de um mês?

A minha visão é de que será um evento espetacular. Todas as festas da região estão retornando cheias, após o fim da pandemia, e muitas delas com um clima familiar. Vejo que a Expo Rondon e a Festa do Boi no Rolete têm tudo para serem ótimas, desde que as pessoas mantenham os cuidados. Acredito que será excelente.

A cooperativa Sicredi Aliança Paraná/São Paulo vai assar um boi no rolete, cujo animal já está escolhido. Estaremos no sábado, pois somos patrocinadores da dupla Mato Grosso e Mathias, e retornaremos no domingo logo cedo. O trabalho é bom, mas precisa de lazer e diversão, e a Sicredi apoia isto. Outra questão que entendo é que como empresários devemos apoiar a festa do município como um todo para que seja um sucesso. E aos assadores do boi no rolete, o primeiro lugar é ótimo, mas desejo que todos se esforcem para fazer o seu melhor, que todos se sintam satisfeitos e que o dia seja agradável a quem trabalha e aos visitantes.

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