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Cotidiano aniversário

Marechal Cândido Rondon – 61 anos de emancipação

Registros fotográficos apresentam momentos históricos do município

23/07/2021 15h14 Atualizada há 2 meses
Por: Redação
Marechal Cândido Rondon – 61 anos de emancipação

Na semana em que Marechal Rondon completa 61 anos de emancipação, a reportagem do jornal Tribuna do Oeste traz alguns fatos e, especialmente, registros fotográficos que apresentam alguns episódios que marcaram a história do município.

No final do século XIX, quando todo o Oeste do Paraná ainda era uma região totalmente isolada e tomada por mata fechada, as terras que hoje compreendem a área onde está localizado o município rondonense, eram ocupadas por companhias estrangeiras que exploravam legal e ilegalmente a erva-mate e a madeira.

Na década de 1940 a Companhia de Maderas Alto Paraná foi vendida pelos ingleses a um grupo de empresários gaúchos, que fundaram a Industrial Madeireira Colonizadora Rio Paraná (Maripá).

Uma nova etapa

A retomada de colonização da região só teve início quando a Maripá adquiriu a Fazenda Britânia e estudou a região para colonizá-la. Era 1946, ano que marcou toda a região Oeste, pois foi a partir deste ano que a colonização verdadeiramente aconteceu.

Um dos principais responsáveis pela colonização foi um dos diretores da Maripá, Willy Barth. Em 1951 o projeto de colonização já era considerado vitorioso e nos anos seguintes a região já iniciava a produção de cereais e suínos, que eram comercializados em Ponta Grossa e Curitiba.

Pioneiros

Os pioneiros, na sua grande maioria, eram descentes de imigrantes da Alemanha, mas também havia italianos e poloneses. Todos eram cuidadosamente distribuídos em comunidades distintas, a fim de facilitar a comunicação e a integração. Na região de Margarida, por exemplo, foram alocados muitos poloneses. Já na região de Novo Horizonte, era a área dos italianos.

Esse cuidado também havia com relação à religião. A maioria dos pioneiros era de origem evangélica luterana. Mas, também houve presença de católicos e batistas, porém em menor número.

Emancipação de distritos

Um impacto para o município foi a emancipação de quatro distritos de Marechal Cândido Rondon em 1990, que passaram a ter vida independente a partir de 1993. Pato Bragado, Entre Rios do Oeste, Mercedes e Quatro Pontes separam-se, impactando em mais uma redução significativa de área territorial e população. Juntas, as quatro localidades somaram mais de 20 mil pessoas que deixaram de pertencer a Marechal Rondon.

Fatos históricos

Foram muitos os fatos históricos que marcaram a história de Marechal Rondon. O município, hoje, se tornou referência na região.

 

Mutirão de derrubada da mata em 1952 no local onde hoje está localizada a Praça Willy Barth, a principal de Marechal Cândido Rondon

 

Imagem histórica mostra o surgimento do povoado da então Vila General Rondon no ano de 1953.

 

As famílias chegavam dos estados do Sul e instalavam-se precariamente no meio da mata. Na foto, registro da Família Graff instalando-se na Linha Concórdia

Barranca do Rio Paraná em Porto Mendes nos anos 1960

Pontes foram construídas para garantir o acesso às localidades. Na foto, construção sobre o Rio São Francisco, entre Pato Bragado e Entre Rios do Oeste

A caça e a pesca de subsistência garantia a sobrevivência no meio da mata. Na foto, uma anta abatida nos anos 60

 

Imagem: capa do livro Willy Barth - Uma biografia

Willy Barth, diretor da Maripá, responsável pela colonização da região

Na imagem de 1977 a Praça Willy Barth já aparece bem desenvolvida e o prédio da prefeitura que estava em construção

Pavilhões da primeira exposição agropecuária realizada na então Vila General Rondon e influenciou diretamente na emancipação

O Presidente Geisel discursou para um público estimado em 60 mil pessoas na sua visita a Marechal Cândido Rondon em 1976

O café foi uma das primeiras culturas cultivadas em General Rondon. Mas as sucessivas geadas impediram que a cultura prosperasse. Na foto, a primeira colheita de café da família Strenske

A prosperidade agrícola de Marechal Cândido Rondon foi um dos fatores que fez surgir a Copagril, fundada em 9 de agosto de 1970. Aqui foto aérea da cooperativa em 1973

Colheita de trigo em 1972 na propriedade de Henrique Bellé, em Curvado

Centro de Marechal Cândido Rondon na década de 70, na região do cruzamento da Avenida Rio Grande do Sul com a Rua 7 de Setembro. As árvores no canteiro central da avenida ainda eram pequenas

Primeiro Fórum de Marechal Cândido Rondon, posteriormente destruído em incêndio criminoso.

Primeira prefeitura, cedida pela Maripá. Prédio existe até hoje.

Construção das residências do BNH 1 (Conjunto Habitacional Itamarati) nos anos de 1975/77

Primeira sede da Acimacar

 

O NOVO SEMPRE VEM... 

*WERNO ELIAS KOCH

Todas as vezes que ando pelas ruas de Marechal, me vêm duas lembranças marcantes, dois sabores de infância: o amargor da laranja apepu e o frescor do ingá, recém colhido, às margens do Arroio Fundo.

Você entenderá esta minha analogia, conforme se deixar mergulhar neste texto. Com certeza não precisarei lhe falar onde estará intrínseca cada uma destas sensações.

Quero ressaltar também, que não tenho ambição nem intenção alguma em ter alcunha de historiador. São lembranças muitas vezes particulares e que deixarão de assim ser, caso alguém tenha vivido algo parecido.

Como na abertura de um filme, afirmo que qualquer semelhança poderá ser mera coincidência. Vamos lá!

Nossa cidade conta belas histórias, que se multiplicam em cada coração que a habita. Como não lembrar do Café Rainha do Sertão e o inconfundível cheirinho gostoso de café torrado que se espalhava pela cidade.  

As colunas da velha estação rodoviária localizada no prédio da esquina da Maripá com Santa Catarina.

Da antiga prefeitura e sua fachada única, toda construída em madeira e da polêmica criada quando de sua mudança para o novo prédio, onde diziam que era uma obra desnecessária e grandiosa para a época, um exagero para os padrões rondonenses.

O avanço das águas do Lago de Itaipu, cobrindo o que estivesse pela frente, fazendo desaparecer também Sete Quedas. Causando principalmente um grande êxodo, mandando famílias para terras distantes daqui.

Lembrar da vinda do Presidente Geisel, quando da inauguração da rodovia ligando Marechal com o resto do mundo. Antes disso, tantas vezes ficamos ilhados em épocas de chuva, onde o barro vermelho não deixava ninguém chegar ou ir. O progresso “parava” a poucos quilômetros daqui. Era uma terra por vezes ressentida, sentindo-se desvalorizada e esquecida.

As mudanças na iluminação pública, das árvores novas sendo plantadas nas calçadas, em destaque, as palmeiras em frente à Praça Willy Barth.

Das lojas e empresas tradicionais que já não mais existem, engolidas pelo progresso.

Dos velhos prédios de madeira, como o Bar do Pauli, onde se comprava o melhor sorvete seco da cidade, com direito a uma bexiga grátis.

O Hotel Avenida que, após mais de setenta anos, agora sendo demolido, por não ter mais condições de permanecer em pé com segurança.

A vinda do Papai Noel, em todas as noites de Dezembro, jogando balas para o público. A garotada, enlouquecida catando balas, onde as crianças mais preparadas já levavam uma estratégica sacolinha. Eu mesmo me achava um ninja. Garoto esperto era o que sabia onde o velhinho estaria no outro dia. A bala era ruim, dura que só, mas era doce, já bastava.

Da lendária Casa Gasa, de suas histórias e mistérios que sempre intrigaram a todos, crianças criativas e imaginativas então, nem se fala.

Jogar basquete na quadra descoberta onde hoje está o Centro de Eventos.

Pescar cascudo no Arroio Fundo com uma rede improvisada e depois, ao fim do dia, degustar da própria pesca, muitas vezes minguada, mas que tinha pompa de banquete na mente de um guri orgulhoso.

Das peladas de futebol na “barroca”. O apelido para o lugar fazia jus ao que era, um lugar onde havia sido retirado terra (até hoje não sei por qual motivo), mas era um espaço plano, com direito a muita terra vermelha e barro em dias de chuva. Todos de pés descalços dando bicudos sem dó do próprio dedão.

Das aventuras no matinho onde hoje existe o lago municipal e da manilha gigantesca, onde podia-se ficar em pé ou deliciar-se deitando na água que corria rala pelos pés. Diziam que era poluída, mas quem ligava para isso?

Dos desfiles de Sete de Setembro, onde as escolas disputavam para saber quem era a melhor. Em meu pensamento, a nossa escola sempre era a melhor. A batida do velho kichute no asfalto, ah, isso sim era ser durão e patriota...

Das disputas muitas vezes veladas, outras vezes declaradas entre Marechal e Toledo... o que hoje em dia seria um quase “Davi e Golias”...

Tempo, tempo, mano velho, dá um tempo vai.

Ou melhor, não pare, por favor, temos sede de coisas novas.

Pois é, quem se dispõe a contar histórias, precisa viver, respirar o lugar onde vive, e, principalmente, se despir de qualquer vaidade para entregar de coração o que sente ou o que já viveu.

O olhar sereno, olha para o passado, já o brilho deste mesmo olhar, olha para o futuro.

Cada cidadão é um tijolo na formação de uma estrutura, chamada município.

Como tantos, também respiro esta cidade, que está prestes a completar 61 anos de emancipação.

Há ainda muitas histórias para lembrar e com certeza virão mais lembranças, principalmente quando enviar este texto para ser publicado.

Pensando bem, os trinta anos nos quais estive fora daqui, caso aqui tivesse permanecido, daria uma bíblia, e, para os jovens que não gostam de textão, isso é motivo para festa.

O lado ruim da nossa atualidade, é que já não nos podemos permitir “perder tempo” lendo tanto.

Eu, que sempre fui e sou assíduo leitor, vejo de forma diferente, pois ganhamos muito com a leitura. Sempre acreditei que onde o cérebro trabalha, as pernas serão usadas também com sabedoria.

Nossa cidade não é só a representação de fotos antigas na parede, é o contraste com novas e modernas construções, juntamente com a ampliação urbana, novos bairros e loteamentos de norte a sul, leste a oeste.

Digo mais, ainda veremos o dia em que rondonenses serão vizinhos de janela dos quatropontenses.

Sou um tanto saudosista, mas como profissional do ramo imobiliário, acredito que:

Precisamos tombar o que tiver que ser tombado, saber também a hora de destombar.

Renovar o que puder ser restaurado.

Inovar o que estiver ultrapassado.

Construir onde precisar ser construído.

O novo sempre vem...

Na minha concepção, o novo é um menino ousado, que atreve-se a viver e não tem medo de errar.

O novo, necessário e oportuno, nos mostra o caminho. Há muito ainda a fazer.

Meu desejo para Marechal Cândido Rondon, é que Deus continue abençoando seu povo, sua gente, seu futuro...

Dando vida humana a este município, digo assim: Saiba, querida cidade que, assim como eu, há muitos filhos teus torcendo e trabalhando por ti, tantos outros vindos de incontáveis lugares do mundo, querendo aqui construir e fazer acontecer, sem esquecer de teu passado, tua linda história. Apenas queremos deixar guardado em nossa memória o que é para ser guardado e colocar em prática o que é necessário.

Parabéns, a todos os rondonenses de coração!

 

*Empresário, Corretor de Imóveis e Perito Avaliador Imobiliário. Proprietário da Integrity Imobiliária e Incorporadora.

 

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Marechal Cândido Rondon - Paraná

Sobre o município
Tipicamente germânica, Marechal Cândido Rondon tem na atividade agropecuária sua maior força econômica. Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2020, era de 53495 habitantes.
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Atualizado às 07h36 - Fonte: Climatempo
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